quarta-feira, 11 de julho de 2007

O Futuro da Fé



[Narrador]
As lâmpadas acendem avermelhadas,
Gradualmente, ao som das risadas
Que parecem provir de um infinito
E, então, ouve-se um súbito grito.

[Janaína]
Onde estás, amor meu?
Entregaste o que é seu
E agora sofro descontente
Em mil furores indecentes!

[Narrador]
Nos arbustos, uma chama
Que ilumina o ventre de Ana.

[Janaína]
Ana, ajuda-me, minha fada!
Onde está a minha amada?

[Ana]
Tu te importas contigo mesma,
Que esperes o fim da Quaresma
Para curar a dor e a mácula;
Só terás Lúcia durante a Páscoa.

[Janaína]
O meu desejo é pelo dom de Lúcia,
O que me causa calor e astúcia
Em dias gélidos e conturbados:
Nossos espíritos são igualados
Pela presença de uma à outra,
Como guardamos toda a Sutra.

[Ana]
Não tentes engodos e enganação,
Sei que mataste a revolução
Por ser contrária ao que aspiras:
Todo o ouro moldado em liras.

[Janaína]
Não é verdade, tu te enganas,
Não acredites em bocas insanas!

[Ana]
Devo fazer o que Gaia pediu:
Isolarei a tua libido pueril
Até que não sejas ameaça,
Pois só há apenas uma raça.

[Janaína]
Não sou humana e tu me enjaulas?

[Ana]
És uma pergunta às nossas falhas.

[Narrador]
Ana congela o amor de Janaína
A transformar a mulher em menina
Para justificar o seu sentimento;
O futuro da fé será um tormento.