sábado, 7 de julho de 2007

Mal-Entendido

Ela se afastou lentamente a chamar a atenção para o seu dorso bem desenhado. Tiago não entendeu por que Denise o esfaqueou de modo traiçoeiro após chegar como se quisesse retomar o relacionamento. Suas pálpebras pesaram quando a garota desapareceu pela porta sem olhar para trás. Ele, enquanto morria, xingou-a por não ser sua.

A ligação telefônica

Denise ligou para Tiago com a voz embargada:

- Tiago, preciso falar contigo.

- Denise, onde foi parar? Também preciso falar contigo!

- O que precisa falar?

- Não consigo viver sem você, meu amor. Por que me tratou daquele jeito?

- Estou confusa, Tiago, não sei o que estou fazendo.

- Podemos nos ver?

- Sim, claro que podemos.

- Se você quiser pode ser agora mesmo!

- Não, calma.

- Quando?

- Pela tarde é melhor, umas duas horas.

- Onde?

- Eu vou ao seu apartamento.

- O que quer falar comigo, meu anjo?

- Não pelo telefone.

- Está bem, espero.

- Então eu aparecerei duas horas da tarde.

- Estou esperando, Denise... Por favor, não falte, quero te ver.

- Não vou faltar, certeza... Tenho que ir.

- Mais uma coisa...

- O que?

- Eu te amo.

- (...)

- Ouviu?

- Ouvi.

- Eu te amo, não se esqueça disto.

- Não vou esquecer.

- É bom ouvir isto.

- Tenho que desligar.

- Certo, estou te esperando.

- Ok, até mais.

- Um beijo.

Denise desligou rapidamente e Tiago ficou a pensar como se portaria para reaver a paixão da moça.

O encontro

O relógio marcou duas e meia da tarde e Denise não apareceu, portanto, Tiago resolveu ligar para seu celular:

- Oi, Denise, onde você está?

- Estou aqui em baixo, já irei subir.

- Ok, te espero na portaria.

- Não precisa, é na portaria que estou.

- Ah, espero no elevador.

- 'Tá bem. - desliga.

O rapaz correu para o elevador a fim de recepcioná-la. Denise chega com cara de poucos amigos.

- O que houve?

- Estou cansada, briguei com a minha mãe.

- Não fique assim, vamos entrar. - beijando-a no rosto.

- Resolvi vir para discutirmos sobre o que aconteceu na semana passada.

- Denise, foi um mal-entendido, eu não queria fazer aquilo.

- Quer dizer que fazer sexo comigo dormindo é um mal-entendido?

- Pensei que estávamos num clima, entende?

- Não, não entendo. Resolvi ser legal contigo, dormi vendo um filme e acordei estuprada; não dá pra entender.

- Estuprada? Espera, Denise, não foi bem assim.

- Não foi? Foi o que?

- Foi um engano meu.

- Um engano seu, 'tá certo. Por favor, me dá uma água.

- Dou sim, vem cá.

Os dois entraram na cozinha e Tiago caiu golpeado pelas costas.

- Denise!

- Eu me arrependo amargamente da primeira vez que resolvi foder contigo, seu cachorro!

- O que é isso, Denise?

- Você só sabe dizer isso, idiota? Vai morrer sangrando como um porco e só sabe dizer isso?

- Denise, eu te amo.

- E eu te tenho nojo!