quinta-feira, 28 de junho de 2007

Guerrilha Urbana



Pânico no Estado, todos no chão,
A força que protege veio causar aflição.
É guerra civil, câmeras no alto
Para controlar o que acontece no asfalto.

Carros blindados, armamento pesado,
Fronteiras abertas, atitudes suspeitas,
Balas de borracha para conter trabalhadores,
Políticos maquiados agindo como atores.

Prostitutas servindo droga e diversão,
Polícia a tornar a violência uma paixão,
Campos de batalha nas periferias do país,
Pena de morte sem a presença de um juiz.

Riqueza de uma terra dividida para poucos,
Enquanto os revoltados são dados como loucos.
Há outra nação trancada nas cadeias
E outra verdade correndo nessas veias.

Educação militar ensinada nas favelas
Numa Lei de Talião que termina em seqüelas.
Sangue derramado por espaço para o crime;
Quem manda na rotina é a força que reprime.

Remédios ineficazes pra uma doença terminal,
A morte é estampada na capa do jornal.
Gritos que paralisam esta cidade insana…
Senhores, já é clichê falar de guerrilha urbana.

Crianças engatilham orgulhosas seus fuzis
E balas perdidas se encontram em civis.
Em apartamentos a classe média se enjaula
E a segurança se torna comércio a dar aulas.

A sociedade cresce numa explosão desordenada,
Enquanto a mídia expõe uma visão atordoada
Da faca de dois gumes que é a vida do indivíduo;
Omite-se o estrondo e é provado o resíduo.

O orgulho é progressivo, incurável e fatal
Quando nos diferenciamos de qualquer outro animal.
Erguemo-nos confiantes em decadentes selvas de pedra
Sem lembrar que após toda ascensão há uma queda.

Perdão, não tenho olhos na nuca:
É difícil saber quem me insulta,
Mas sei que sempre alguém me observa
Nos momentos de luz e nas dores das trevas.

Remédios ineficazes pra uma doença terminal,
A morte é estampada na capa do jornal.
Gritos que paralisam esta cidade insana…
Senhores, já é clichê falar de guerrilha urbana.

E eu finjo não ver…
E eu finjo não ver.
Quem sou eu?
Você?