quinta-feira, 28 de junho de 2007

Anjo Meu



Não sei por que falo tanto em ilusão
Se desconfio que é apenas confusão.
O que me basta em pouco tempo se extingüiu
Assim que assassinei teu calafrio.

Nas asas de Setembro eu sorri
E em Janeiro quis te ver perto de mim;
Nem me lembro do que cego escrevi,
Mas recordo muito bem do nosso fim.

Quem sabe a chuva volte a nos abraçar,
Que sabe o tempo me permita te beijar…
Os dias passam e não consigo esquecer
Todos os passos percorridos com você.

Às vezes creio flutuar num mar sombrio,
Onde me julgo ser um homem doentio
Que transformou toda a dor em sofrimento
Com um presente feito de falso momento.

Esta carta é pra dizer que eu te amo
E sem teu corpo não farei mais qualquer plano
Para alcançar alguma coisa que não quero,
Pois teu suor é que me faz sentir inteiro.

Esta carta é pra dizer que eu te amo
E os meus gestos são quase todos insanos
Por pertencerem às nossas recordações,
Que para mim são eternas tentações.

Em brisa fria o teu abraço foi a cura,
Onde quis que acreditasse nesta jura
De estar pra ti até o meu último dia
E ter contigo tudo, menos agonia.

Eu tropecei, eu sei; não quis me reparar.
Eu te odiei por não conseguir me amar,
Mas foi com sangue que o desenho fora feito:
A minha lágrima foi parte do teu leito.

Ó, anjo meu de asas brilhantes,
Olhos perfeitos e beijo estonteante,
Nunca mais fuja dos meus sonhos de tristeza,
Pois é contigo que me sinto em leveza.

Toca meu peito e diga onde foi parar
A liberdade que tu tens para voltar
Todas as noites num espasmo violento,
Pra que eu devore a prisão num acalento.

Esta carta é pra dizer que eu te amo
E sem teu corpo não farei mais qualquer plano
Para alcançar alguma coisa que não quero,
Pois teu suor é que me faz sentir inteiro.

Esta carta é pra dizer que eu te amo
E os meus gestos são quase todos insanos
Por pertencerem às nossas recordações,
Que para mim são eternas tentações.

Minha calipígia de dorso insinuante,
Minha ninfa de libido incessante,
Conceda a vez do que não termina;
Desde madura até quando menina.

Estou atento a tudo o que frisa
E sensível ao que premoniza
Nas mãos gélidas de um corpo qualquer,
Ou nos contornos a te fazer mulher.