quinta-feira, 28 de junho de 2007

Anjo Meu



Não sei por que falo tanto em ilusão
Se desconfio que é apenas confusão.
O que me basta em pouco tempo se extingüiu
Assim que assassinei teu calafrio.

Nas asas de Setembro eu sorri
E em Janeiro quis te ver perto de mim;
Nem me lembro do que cego escrevi,
Mas recordo muito bem do nosso fim.

Quem sabe a chuva volte a nos abraçar,
Que sabe o tempo me permita te beijar…
Os dias passam e não consigo esquecer
Todos os passos percorridos com você.

Às vezes creio flutuar num mar sombrio,
Onde me julgo ser um homem doentio
Que transformou toda a dor em sofrimento
Com um presente feito de falso momento.

Esta carta é pra dizer que eu te amo
E sem teu corpo não farei mais qualquer plano
Para alcançar alguma coisa que não quero,
Pois teu suor é que me faz sentir inteiro.

Esta carta é pra dizer que eu te amo
E os meus gestos são quase todos insanos
Por pertencerem às nossas recordações,
Que para mim são eternas tentações.

Em brisa fria o teu abraço foi a cura,
Onde quis que acreditasse nesta jura
De estar pra ti até o meu último dia
E ter contigo tudo, menos agonia.

Eu tropecei, eu sei; não quis me reparar.
Eu te odiei por não conseguir me amar,
Mas foi com sangue que o desenho fora feito:
A minha lágrima foi parte do teu leito.

Ó, anjo meu de asas brilhantes,
Olhos perfeitos e beijo estonteante,
Nunca mais fuja dos meus sonhos de tristeza,
Pois é contigo que me sinto em leveza.

Toca meu peito e diga onde foi parar
A liberdade que tu tens para voltar
Todas as noites num espasmo violento,
Pra que eu devore a prisão num acalento.

Esta carta é pra dizer que eu te amo
E sem teu corpo não farei mais qualquer plano
Para alcançar alguma coisa que não quero,
Pois teu suor é que me faz sentir inteiro.

Esta carta é pra dizer que eu te amo
E os meus gestos são quase todos insanos
Por pertencerem às nossas recordações,
Que para mim são eternas tentações.

Minha calipígia de dorso insinuante,
Minha ninfa de libido incessante,
Conceda a vez do que não termina;
Desde madura até quando menina.

Estou atento a tudo o que frisa
E sensível ao que premoniza
Nas mãos gélidas de um corpo qualquer,
Ou nos contornos a te fazer mulher.

Crackers



Parem as máquinas, um vírus chegou;
Este se reproduz falsificando amor.
Um adolescente o criou para brincar
De mestre do universo e não irá relaxar
Enquanto não for preso e aparecer na tevê
Como o dono da vacina daquilo que não se vê.

Parem as máquinas, o espião declarou
Que tá tudo copiado e será um horror
Quando o segredo for compartilhado
Na rede alternativa de material hackeado.

Parem as máquinas!

Parem as máquinas, há um cavalo de tróia
Que foi injetado pra causar paranóia
Nas portas fechadas e janelas abertas
Das idéias que mudam as vidas concretas.

Parem as máquinas, os espelhos quebraram,
Evite voltar por onde entraram:
Há um exército de pivetes no núcleo do sistema
E tomar conta de tudo é o seu lema.

Parem as máquinas, pois não desistirão;
Enquanto houver cadeado haverá o ladrão.

Parem as máquinas!

Parem as máquinas e evacuem o prédio,
Pois a distorção visual nos causará tédio...
Nos tornaremos zumbis dum americano genial,
Que fará o estranho parecer normal
Em facilidades requintadas dum aparato qualquer,
Planejado para ser mais uma forma de poder:
Estaremos dispostos em um tabuleiro orgânico
E na mensagem de erro entraremos em pânico,
Pois economizamos comprando o que já está feito
Para poder viver um excelente mundo perfeito.

Parem as máquinas!

Parem as máquinas, compilaram o mal
E hoje é o dia do recital
Daqueles que usam o chapéu preto
Sobre as faces escuras do desrespeito.
O caos, agora, é a harmonia
Da guerra de dígitos em euforia,
Na eterna falta de confiança
Contra os deuses da segurança.
A ambição é transpor um muro de fogo
Para ditar as regras do jogo...
Que se abram as conchas e o seu código
No desagrado de um suor ácido
A corroer as antenas do momento pródigo
Que esquecemos no pedido plácido.

Parem as máquinas, a energia acabou:
Invadiram a fonte daquilo que sou.

Parem as máquinas!

A Mentira Fácil



Eu sei,
A mentira que nos une é feia:
Escondida, envenena a ceia
Que pretende alimentar meu bem.

Eu sei
Que me escondo pra ser seu mistério,
Pra que me sinta como um cara sério,
Mas só me engano para ser alguém.

Eu vi
O seu sorriso mais desconfiado
- As pretensões do nosso legado -
E do que somos eu fiquei aquém.

Eu li
As entrelinhas dos desenhos castos
Que inibiam a nossa vida fácil
A ulular no mundo de ninguém.

Queira-me assim como eu sou,
Fácil assim,
Pois não sou de mim.

Furte-me assim como eu sou,
Nutra-me assim,
Pois nunca houve fim.

É mentira fácil,
Ludo que é meu vício,
O som do meu clarim.

Às Vezes



Às vezes me parece ironia
Estar mergulhado nesta agonia.
Não quero ser grato ao que me sufoca;
Aos que desejam minha vida à base de trocas.

Às vezes agressivo, às vezes sereno:
A partir das reações eu vou aprendendo.
Às vezes indeciso e às vezes em certeza:
É na lama que encontro a sublime pureza.

Foram muitas as vezes que caí machucado
E dessas tantas consegui sair aliviado.
Foram poucas as vezes que não assimilei
E fui insano a repetir onde errei.

Zeus, Olorum, Odin e Aquenaton;
Fiz parte destes mundos guiado pelos sons.
Gritei em iorubá somente por prazer,
Mas meu peito se ilustrou tentando entender.

Laroiê, Exu, Orixá da transição!
Shalom, Javé, Pai da criação!
Às vezes sincretizo mesmo em pouca fé,
Às vezes sintetizo aquilo que não é.

Às vezes me apaixono só por um segundo,
Às vezes me ignoro a me sentir imundo.
Há vezes que preciso de um abraço pra sorrir
E outras em que crio um universo a mentir.

Às vezes são claras as minhas tentações
E noutras não passam de vis ilusões.
Às vezes tento ser mais um mártir,
Mas não quero ser a semente de uma corte.

Às vezes me deprimo por não ver direito
Aquilo que para todos parece perfeito.
Às vezes desisto de parábolas idiotas,
Mas em poucos meses estou de volta.

Às vezes acendo mais um cigarro
Sabendo que o câncer começa pelo pigarro.
Às vezes saio à rua sem qualquer destino
E então, feliz, sinto-me um menino.

Às vezes busco coisas sem sentido,
Crio uma fábula e vivo o papel do bandido.
Às vezes preservo a dor que me destrói
Para sair do lodo e me sentir um anti-herói.

Às vezes sou o arco para a flecha da dor
Que, no meio do caminho, transforma-se em flor.
Às vezes sou Deus com trovões da minha boca,
Mas acordo e percebo que a minha loucura é pouca.

Ressinto o passado e o tento no presente,
Todavia sei que só estou carente
E minhas ações, às vezes, são castelos de areia
Que se perdem na brisa que me clareia.

Às vezes amo a mulher da minha vida,
Mas depois descubro que só a queria despida.
Às vezes espano a poeira que se acumula
Querendo que o trabalho seja uma cura.

Às vezes zelo por um pertence de estimação,
Emprestando a paz a uma sensação.
Às vezes coloco o impossível no papel,
Ciente que é pouco provável e cruel.

Às vezes me deito abobado sobre a terra
Para observar mais um dia que se encerra.
Às vezes tenho compromissos que não posso faltar,
Mas que se foda, pois às vezes irei contrariar.

Às vezes tenho medo do futuro distante,
Pois às vezes crio planos mirabolantes.
Às vezes jogo a âncora para não sair do lugar
E essas vezes são aquelas que não quero lembrar.

Guerrilha Urbana



Pânico no Estado, todos no chão,
A força que protege veio causar aflição.
É guerra civil, câmeras no alto
Para controlar o que acontece no asfalto.

Carros blindados, armamento pesado,
Fronteiras abertas, atitudes suspeitas,
Balas de borracha para conter trabalhadores,
Políticos maquiados agindo como atores.

Prostitutas servindo droga e diversão,
Polícia a tornar a violência uma paixão,
Campos de batalha nas periferias do país,
Pena de morte sem a presença de um juiz.

Riqueza de uma terra dividida para poucos,
Enquanto os revoltados são dados como loucos.
Há outra nação trancada nas cadeias
E outra verdade correndo nessas veias.

Educação militar ensinada nas favelas
Numa Lei de Talião que termina em seqüelas.
Sangue derramado por espaço para o crime;
Quem manda na rotina é a força que reprime.

Remédios ineficazes pra uma doença terminal,
A morte é estampada na capa do jornal.
Gritos que paralisam esta cidade insana…
Senhores, já é clichê falar de guerrilha urbana.

Crianças engatilham orgulhosas seus fuzis
E balas perdidas se encontram em civis.
Em apartamentos a classe média se enjaula
E a segurança se torna comércio a dar aulas.

A sociedade cresce numa explosão desordenada,
Enquanto a mídia expõe uma visão atordoada
Da faca de dois gumes que é a vida do indivíduo;
Omite-se o estrondo e é provado o resíduo.

O orgulho é progressivo, incurável e fatal
Quando nos diferenciamos de qualquer outro animal.
Erguemo-nos confiantes em decadentes selvas de pedra
Sem lembrar que após toda ascensão há uma queda.

Perdão, não tenho olhos na nuca:
É difícil saber quem me insulta,
Mas sei que sempre alguém me observa
Nos momentos de luz e nas dores das trevas.

Remédios ineficazes pra uma doença terminal,
A morte é estampada na capa do jornal.
Gritos que paralisam esta cidade insana…
Senhores, já é clichê falar de guerrilha urbana.

E eu finjo não ver…
E eu finjo não ver.
Quem sou eu?
Você?

quarta-feira, 27 de junho de 2007

dois@host



Seus lábios sobre os dentes em carícia suave,
Minhas mãos sobre a volúpia em tom de neve...

dois@host:~$ poff -a

Morremos para o público e não importa,
Pois o ritual profano que nos suporta em paz.
Não há nada mais além das percepções mútuas,
Sentido que não insulta o que ficou.

terça-feira, 5 de junho de 2007

Uma Consulta e Outros Adicionais

A noite está no início e Fernando já está bêbado. Comprou uma garrafa de uísque e chegou ao bar com a mesma pela metade, além de ter bebido três ou quatro garrafas de cerveja com o amigo Daniel; que encontrou na chegada. Há oito garotas e seis rapazes, mais um barman e quatro garçonetes.
Fernando chama uma das garçonetes - uma loira de seios túrgidos e belas pernas -, ela se aproxima e ele pergunta:

- Pode me fazer um favor?

- Claro, o que deseja? - sorrindo.

- Desejo fazer uma pergunta.

- Pode fazer! - mantendo o sorriso.

- Tem pouca gente aqui… Eu cheguei cedo demais ou é sempre assim?

- Como o senhor se chama?

- Não me chame de senhor, por favor, só tenho dezoito! Chamo-me Fernando.

- Certo… Desculpe-me, Fernando! Ainda estamos no início da balada; lá para as duas horas a casa estará cheia.

Fernando consulta seu relógio de pulso e ainda são onze e quarenta e cinco.

- Ok, muito obrigado! Como se chama, senhorita?

- Ana Flávia. Para o que precisar, estou aqui.

- Muito obrigado, Ana Flávia… Educada e belíssima! - esboçando uma insinuação.

- São seus olhos, Fernando! Lembre-se que estou aqui para o que precisar… Deseja algo mais?

- Pode me trazer um Martini com Vodca?

- Claro! - Ana Flávia se vira e caminha até o balcão, enquanto Fernando fica abobado com as nádegas fartas da garota.

- Você viu isso? - Fernando questiona Daniel, referindo-se à garota.

- E como vi… Deliciosa! - com um semblante de tara.

- Eu pagaria trezentinhos para fodê-la!

- Putz, você não me disse que está desempregado?

- Mas eu fiz uma correria.

- Hum… Ainda está vendendo micro-pontos?

- Não, a fonte secou e eu quase puxei xadrez.

- Então foi o que?

- Um-cinco-sete.

- Nossa, maior adrenalina! Como foi?

- No consultório de uma dentista, em São Bernardo do Campo… Espera que a garçonete está chegando.

Ana Flávia se aproxima com a taça de Martini e Vodca, pedida por Fernando, numa bandeja.

- Aqui está, Fernando. - pondo a taça sobre a mesa. - Mais alguma coisa? - dando uma piscadela.

- Você sai que horas?

- Desculpe, tenho namorado.

- Prometo que não conto a ele!

- Cuidado, ele é valente!

- E eu sou descarado!

- É?

- Sim, posso te dar uma aventura bastante excitante.

- Eu até toparia, porque te achei uma gracinha, mas tenho um compromisso.

- Nunca viola regras?

- Não gosto de violar regras.

- A pergunta foi outra!

- Algumas vezes.

- Fica excitada quando as viola?

- Não entendi.

- Imagine-se quando criança, transpondo os limites impostos pelos seus pais.

- Sim, continue.

- Estar fora destes limites te excitava?

- Sim, mas eu apanhava no bumbum ou levava uma bronca daquelas!

- Sempre? E nas vezes que ninguém descobria?

- Dava medo.

- Medo de que?

- Medo que descobrissem.

- Um excitante frio na barriga, não é?

- Sim, era um medo que me perseguia por muito tempo… Só passava quando partilhava com alguma amiga.

- Sentia um alívio?

- Isso, um alívio.

- E mantinha uma cúmplice que não podia contrariar?

- Não é bem assim, mas posso dizer que sim.

- A garota está ficando constrangida, Fernando! - intercede Daniel.

- Não, gostei do papo! - Ana Flávia, animada.

- Vamos fazer uma coisa? - pergunta Fernando a Ana Flávia.

- Depende do que deseja.

- Espero seu expediente acabar e saímos só para conversar… Não te obrigo a nada que não queira e prometo que farei de tudo para, no mínimo, sermos bons amigos.

- Bons amigos? Sei… - em tom irônico.

- Você quem sabe… Se me der este voto de confiança, ficarei honrado.

- Vou pensar.

- Esteja a vontade… Ah! Não se sinta obrigada a me dar atenção; trabalhe em paz!

- Não é em paz que trabalho, porém muito obrigado. Enquanto estiver aqui, darei o melhor de mim para que se sinta bem. - dando outra piscadela e acariciando o dorso da mão de Fernando.

- Será um prazer e uma honra! - retribuindo a piscadela e tomando a mão da moça para beijá-la.

- Você é muito gentil… Ficaria conversando contigo, mas a casa está enchendo e preciso trabalhar um pouquinho.

- Ok, espero a sua resposta ao final do expediente.

- Pode deixar, pensarei com carinho. - soltando um beijo no ar.

Ana Flávia se afasta e Fernando fica em transe, observando o corpo voluptuoso.

- Amigão!

- Como?

- Estou aqui! - Daniel, às gargalhadas.

- Nossa, cara, que mulher gostosa!

- Sem querer te interromper, e o um-cinco-sete?

- Ah, pode crer! - após um gole da bebida.

- Você disse que foi no consultório de uma dentista.

- Sim. Um amigo meu trabalha na casa desta dentista e me contou que o seu marido, dono de uma empresa de informática, guarda dinheiro no consultório.

- Esse seu amigo trabalha de que?

- Ele é caseiro; arruma o jardim, limpa a piscina e faz serviços gerais. Conseguiu a informação porque está comendo uma empregada de lá.

- E como você meteu o um-cinco-sete?

- Esse amigo me passou que na quinta-feira é o melhor dia, então marquei todos os horários da tarde com duas semanas de antecedência. Chamei outro mano para aplicar a ação e nos armamos com duas quadradas, nove milímetros, para dar o bote.

- Hum… Deu tudo certo?

- Claro! Entramos, rendemos, pegamos o dinheiro, algumas próteses e dois notebooks. Deixamos a atendente e a dentista amarradas na fita e saímos pela recepção do prédio como se nada tivesse acontecido.

- Levaram quanto?

- Quatro mil para cada.

- Putz! Não tem como me por numa fita dessa?

- Se rolar, eu te aviso. - dá outro gole na bebida.

O bar está mais movimentado e Ana Flávia retorna.

- Estão satisfeitos? - pergunta a moça.

- Ainda não. - responde Fernando.

- O que te falta, querido?

- Uma moça prometeu pensar em sair comigo para conversar… Estou angustiado por esta resposta.

- Hum… A moça está quase aceitando, chegou a conversar com algumas colegas de trabalho sobre isso, mas ela precisa de um euforizante para pensar melhor.

- Nossa, não sabia que esta moça tem asas tão compridas!

- Mais compridas do que possa pensar!

- Trinta gramas são bastante para a moça?

- Tentador!

- Nem eu estava sabendo dessa! - exclama Daniel.

- Uma surpresinha. - brinca Fernando.

- Você não quer me acompanhar até a cozinha para que eu prove a qualidade? - diz Ana Flávia.

- Só se for agora! - levantando-se sorridente.

- Espero você aqui? - pergunta Daniel.

- Ainda não sei. - Fernando responde tirando um papelote do bolso e entregando a Daniel.

- Vamos? - Ana Flávia.

- Vamos, amor meu. - segurando a mão da moça.

Ana Flávia e Fernando caminham por entre os trinta ou quarenta presentes até o balcão do bar. A garota cochicha algo no ouvido do barman, que balança a cabeça em sinal de positivo. Ela aponta uma porta atrás do balcão para Fernando e o guia pelo caminho correto. Eles entram na cozinha; um cômodo grande, mas abafado pelo calor dos fogões e fornos.

- Espera que eu vou pegar uma bandeja. - pede Ana Flávia.

- Tudo bem!

A dama caminha até uma pilha de louça a retirar a parte de cima da sua roupa, ficando de mini-saia e sutiã. Trás uma bandeja comprida e pouco larga.

- Está quente, não é?

- Muito! - Fernando se excita com os seios túrgidos da moça e permanece com os olhos estatelados nos mesmos por alguns segundos.

- Gosta deles?

- De que?

- Dos meus seios.

- (…) - Fernando fica sem jeito. - Sim, são espetaculares!

- Só isso? Esperava mais para mostrá-los!

- Sinceramente, fugiram-me todas as palavras possíveis… Meu instinto tomou conta de mim.

- Tomou? - comprimindo os seios contra a bandeja.

- Assim você me tira do sério, Ana!

- Talvez seja isso que eu queira.

Fernando se aproxima de Ana Flávia, segura a sua cintura por trás e sussurra ao seu ouvido:

- Para quem estava com tanto zelo pela relação com o namorado, você está me saindo uma bela duma canalha!

- Só estou seguindo a sua intenção de sexo e drogas. - lambendo-o na nuca.

- Algo mais?

- Por quinhentos reais, consigo uma morena de olhos verdes para a gente se divertir.

- Sei que consegue!

- Vamos chupar o teu caralho tão bem que irá nos esporrar todinhas. Depois te daremos muito carinho… Topa?

- Topo.

- Percebi pela rigidez sobre tua virilha.

Ana Flávia coloca a bandeja sobre um balcão atrás de Fernando e desabotoa a sua calça. Segura o seu pênis com carinho e começa a masturbá-lo, enquanto ele roça a boca sobre os seios da mulher e tenta arrancar o sutiã com os dentes.

- Calma! - interrompe Ana Flávia.

- Agora que você me faz ficar de pau duro quer que eu pare?

- Não viemos aqui para isso… Lembre-se do nosso trato.

- Você é mesmo uma canalha! Esquenta a bandeja para mim?

Ana Flávia vai até o fogão, pede licença à cozinheira, aquece a bandeja e retorna ao balcão.

- Cadê o pó? - pergunta afoita.

Fernando retira uma embalagem - similar a uma saboneteira - do bolso, abre-a e espalha uma boa quantidade de cocaína sobre a bandeja.

- Bate pra mim? - pede Fernando.

- Com prazer, meu lindo!

Ana Flávia saca um cartão de crédito do bolso e começa a esmagar as bolotas de farinha até desfazê-las em pó.

- Gosta de carreiras longas ou curtas?

- Você decide, minha querida.

Ele esmaga mais, para que o pó fique mais fino, e estira seis trilhar imensas com o cartão.

- Você cheira uma dessa de uma só vez? - Fernando, descrente.

- Sim. - enrola uma nota de dez Reais, põe no nariz e aspira duas carreiras sem parar.

- Olha, você é do traçado! - afirma espantado, enquanto a moça ergue a cabeça para aspirar o pó preso nas fossas nasais.

- Sua vez, querido!

- Não, não quero. Preciso estar de pau duro para você.

- Eu e minha amiguinha sabemos fazer um cacete subir em situações adversas, mas já que prefere assim…. - coloca a nota enrolada no nariz e aspira mais uma.

- Onde está a sua amiga?

- Espera um momento! - corre até a porta por onde entraram e põe a cabeça para fora.
Fernando está com tanta libido que resolve cheirar uma carreira para não ejacular precocemente. Ana Flávia volta e, logo em seguida, entra uma morena escultural a abraçá-la por trás.

- Ouvi a notícia e já fiquei toda molhada! - diz a morena. - Como se chama, meu lindo?

- Fernando, e você?

- Carla, - avança contra Fernando e lhe dá um beijo prolongado na boca.
Carla olha para a bandeja e pergunta:

- Essas duas são minhas?

- Claro! - responde Fernando.

- Cheirou uma? - sorri Ana Flávia.

- Muito tesão… Pra controlar um pouco.

- Vamos sair daqui… Está de carro? - Carla.para Fernando.

- Sim, estou.

- Onde estacionou?

- No estacionamento privado daqui do lado.

- Que carro é?

- Um Omega grafite. - mal sabem elas que é um carro furtado em Ponta Grossa.

- Hum… - Carla apalpa o pênis de Fernando. - Vamos sair pelos fundos, dá direto no estacionamento… Deixa-me cheirar minha última e já vamos.

- Ah! Desculpa cortar o tesão, mas os quinhentos são adiantados. - avisa Ana Flávia.
Fernando saca a carteira recheada com quase três mil Reais - o que concentra a atenção das garotas - e prende dez notas de cinqüenta no sutiã de Ana Flávia.

- Cuidado que as onças mordem. - brinca Fernando.

- Eu mordo bem mais gostoso do que elas… Vamos?

- Indique a saída que vamos para onde quiser.

Fernando sai abraçado às duas garotas, dando vida aos seus pensamentos libidinosos a apalpá-las. Chegam ao estacionamento e entram no carro: Ana Flávia senta no banco de carona e Carla no banco de trás.

- Nossa, esqueci uma coisa! - exclama Fernando.

- De que? - Ana Flávia.

- Não paguei a conta.

- Relaxe, me dá mais cinqüenta que eu pago.

- Não foi tudo isso!

- Mas estou te fazendo um favor. - dá uma piscadela.

- No motel eu te dou.

- Tem um legal no Centro! - grita Carla.

- Temos tantas opções em Sampa e você que a Boca do Lixo?

- É disso que eu gosto… Putaria! - a gargalhar.

- Nem precisava ser na Boca do Lixo, mas já que você disse; isso me excita! - Ana Flávia.

- Pois bem, vamos pra lá!

Fernando dá a partida no carro, sai da vaga, paga a estadia no estacionamento e invade a rua fritando os pneus; as garotas ficam mais eufóricas. Ana Flávia pede a cocaína, Fernando dá e ela passa para Carla tratá-la.

- Você dirige bem em qualquer condição? - Ana Flávia.

- Por que? - Fernando não entende.

Ana Flávia escorrega a mão até as calças de Fernando e as desabotoa, abre o zíper lentamente e puxa o seu pênis de dentro da cueca. Começa a masturbá-lo e ele reduz a velocidade com que conduz o veículo enquanto Carla cheira pó no banco de trás. Ana Flávia joga seus longos cabelos loiros para trás, abaixa a cabeça até por a boca no pênis de Fernando, faz carícias com a língua e o suga com desenvoltura. Fernando guia o veículo a trinta quilômetros por hora até que freia bruscamente num orgasmo. Ana Flávia bate a cabeça no volante, mas lambe todo o esperma a rodear a língua pelos lábios.

- Nossa, quase caiu o pó! - Carla.

- Caiu alguma coisa? - Ana Flávia.

- Não, sorte. O que estavam fazendo aí, seus safadinhos?

- Estava fazendo um carinho nele.

São duas horas da manhã e e chegam ao motel sugerido por Carla. Fernando estaciona o carro, deixa o quarto pago até a manhã e sobe com as garotas. O quarto é espaçoso e confortável; com televisão, cama redonda, aparelho de som e banheira de hidromassagem. Há uma mesa de vidro do lado da cama.

- Vê a mesa? Por isso que sugeri aqui! - Carla.

- Pode jogar todo o pó aí em cima. - Fernando.

- Todo? - Ana Flávia.

- E mais esse. - Fernando tira cinco papelotes do bolso.

O rapaz levanta a parte de trás do casaco e puxa uma pistola automática - presa pelas calças -, retira o pente de balas e coloca tudo em cima da mesa.

- Pra que isso, moço? - Carla, assustada.

- Pra vocês me matarem se eu abusar de vocês! - Fernando, sorrindo.

- Cuidado, Fé. - pede Carla.

- Não se preocupe, não brinco com isso.

- Ainda bem!

- Armas me excitam! - diz Ana Flávia.

- Excitam?

- Posso pegar?

- Está descarregada, pode.

Ana Flávia segura a arma e começa a apontar para alguns lugares do quarto, imitando o som de tiros. Passa pelo corpo enquanto tira a roupa numa dança sensual. Coloca o cano na boca e começa a se masturbar. Rodeia os mamilos com a coronha da pistola, descendo lentamente até a vagina; onde esfrega lentamente e introduz a pistola. Carla se assusta com a brincadeira, mas Fernando se excita e deita na cama a tirar a roupa. Ana Flávia pede para Carla tirar a roupa e esta obedece, a deitar do lado de Fernando. Carla masturba Fernando até o pênis estar rígido e se agacha sobre ele, subindo e descendo para o saltitar dos seios pontudos tomar a atenção do rapaz.

- Carla! - chama Ana Flávia.

- O que? - pergunta Carla.

- Olha pra mim! - masturbando-se e desejando ser observada.

Carla enverga o corpo para trás, a saltitar freneticamente sobre Fernando, e olha para Ana Flávia de cabeça para baixo. A garota impõe a arma contra Carla e aperta o gatilho… A arma dispara e a bala atinge a testa da garota.

- Meu Deus! Você é louca! - Fernando se desespera.

Ana Flávia permanece na mesma posição, como se estivesse em estado de choque, e, subitamente, começa a gargalhar em vias de insanidade.

- Você matou a mina, sua louca! - tirando o pênis de dentro da vagina de Carla e estendendo-a na cama.

- Atirou.

- Como assim, atirou? Você pegou o pente de balas!

- Não peguei. - com cara de dengo.

Fernando se lembra que esqueceu de retirar a bala que estava na agulha e entra em desespero.

- Você tocou em algum dispositivo além do gatilho?

- Nesta chavinha da esquerda. - apontando na pistola.

- É a trava de segurança… Tinha uma bala na agulha e você destravou.

- O que vamos fazer?

- Não sei. - com os pés no chão, sentado na cama e as mãos na cabeça.

Ana Flávia caminha para a cama, senta ao seu lado e diz:

- Engraçado, não estou com medo.

- Deveria. Isto foi um homicídio com uma arma ilegal e temos uma quantidade absurda de droga.

- A droga podemos consumir.

- Você não liga mesmo, não é?

- Não. Veja, está morta e estamos vivos.

- Você é realmente louca.

- Há pouco tempo transava com ela.

- Brochei com o susto.

- Quer que eu te mame pra acalmar?

- Não, estou pensando.

- Ela era muito linda. - tocando os seios de Carla. - Ainda está quente e a vagina continua lubrificada…. O tiro fez um furinho na testa e um rombo na nuca. Tem outro furo nas costas… Deve ter atravessado o crânio e se alojado na coluna.

Ana Flávia abre os braços e as pernas de Carla na cama, em disposição de estrela, e percorre o corpo com o nariz. Lambe a vagina e acaricia os seios como se estivesse viva. Fernando olha tudo num misto de tesão e nojo.

- O que está fazendo?

- Você não deu pra ela a última gozada. Interrompi e devo isso.

- Ela não sente mais, louca!

- Eu sinto por mim e por ela.

- Não acredito no que estou vendo!

- Então por que está de pau duro? Junte-se a nós!