sábado, 27 de agosto de 2005

Agonia



Com as mãos atadas:
Olhar que cala o meu fôlego!
Vejo a verdade esquartejada
E a sanidade ferida no âmago.

Tempero de vida caótica,
Tempero ardente que espanta as formigas
Que buscam a doçura desta urina diabética.

Não pude prever estas intrigas;
Tampouco esquecer esta figura esquelética
Que come e jamais se abastece,
Se empanturra e depois emagrece.

Ouvi o ruí­do da dor antes dela chegar…
Silenciosa,
Rastejante,
Ardilosa,
Insinuante
E só percebi quando havia partido;
Quando os meus sentidos voltaram à tona.

Mais uma queda à lona para este papel
Que ora parece comédia,
Ora parece tragédia,
Mas sei que nunca fez parte do céu.

Sanidade furtada do céu da minha boca.

Se não pareceu pouca coragem,
Acredite que você entendeu uma imensa bobagem.